António Marinho Pinto, advogado em Coimbra, é conhecido pela frontalidade
António Marinho Pinto, o controverso advogado de Coimbra, confirmou ontem que é candidato à Ordem dos Advogados (OA). Depois de muitos rumores, o causídico decidiu entrar na corrida e assumir-se como quarto candidato a bastonário.
Combater a “desjudicialização da Justiça e a massificação dos advogados” são os dois temas fortes da candidatura de Marinho, que deverá ser oficializada no próximo mês. “É pelos mesmos objectivos por que me candidatei há três anos. O meu programa de 2005 mantém-se actual”, disse ao CM o advogado, que considera que “a Justiça tem de ser administrada nos tribunais e não nas repartições públicas”.
Por outro lado, Marinho Pinto diz que “as profissões precisam de ter um número de profissionais adequado”, manifestando--se preocupado com o número de advogados no activo em Portugal: cerca de 26 mil. Dos quais 60 por cento são jovens advogados.
“ARISTOCRATAS DE LISBOA”
Frontal, principalmente nas críticas às magistraturas, e controverso, António Marinho diz que a sua candidatura de 2005 – quando conseguiu, surpreendentemente, um terço da votação e ficou em segundo lugar – impulsionou “a multidão de candidatos que agora aparece”. Assumindo-se como advogado de “província”, diz que o resultado de 2005 prova que a Ordem não tem de estar obrigatoriamente nas mãos dos “aristocratas da advocacia lisboeta”.
Com esta candidatura, António Marinho deverá ser o único a representar Coimbra nas eleições do fim do ano, devendo contar, novamente, com o apoio de Rodrigo Santiago.
A Marinho juntam-se, para já, Luís Menezes Leitão, João Pedro Pereira da Rosa e Garcia Pereira. A oito meses do escrutínio, estas são já as eleições mais concorridas dos últimos anos, com quatro candidatos confirmados e outros tantos por confirmar. Nos actos eleitorais que elegeram José Miguel Júdice e Rogério Alves houve apenas três candidatos.
PERFIL
António Marinho Pinto, de 56 anos, assume-se como um “advogado de província”, profissão que conheceu tarde, em 1987, depois de ter sido jornalista e director da ANOP – Agência Noticiosa Portuguesa.
Natural de Amarante, sediou-se em Coimbra após os estudos, formando-se com 11 valores. Logo no primeiro ano da faculdade, em 1972, foi preso em Caxias no âmbito das lutas dos estudantes. Nos últimos anos, foi advogado das três portuguesas detidas na Venezuela por suspeitas de tráfico de droga.
QUATRO CANDIDATOS E MAIS DÚVIDAS
António Marinho, Menezes Leitão, Garcia Pereira e Pereira da Rosa são os quatro candidatos assumidos a bastonário da Ordem dos Advogados. As eleições ainda não estão marcadas – deverão decorrer entre Novembro e Dezembro – mas desde o Verão passado que se discute a sucessão de Rogério Alves.
O primeiro a apresentar a candidatura foi João Pereira da Rosa, de 51 anos, conhecido apoiante de José Miguel Júdice e antigo presidente do Conselho de Deontologia da Ordem.
Seguiu-se o chamado ‘advogado dos trabalhadores’, Garcia Pereira, de 54 anos. Ao contrário das eleições anteriores, este último parece querer levar a candidatura até às urnas e é mesmo visto por vários colegas como favorito.
Na passada quinta-feira, foi a vez de Luís Menezes Leitão, de 44 anos, actual vice-presidente do Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados, a formalizar a sua posição na corrida.
Com quatro candidatos confirmados, as eleições de 2007 são já as mais concorridas dos últimos anos. No entanto, as dúvidas quanto ao que irá suceder são maiores do que as certezas: outros tantos nomes são falados nos bastidores como potenciais candidatos. É o caso de Proença de Carvalho, Magalhães e Silva e Aguiar-Branco, para não esquecer o próprio bastonário, Rogério Alves, que ainda não deixou clara a sua decisão.
JULGAMENTO DE JÚDICE DIVIDE MANDATO DE ROGÉRIO ALVES
O julgamento de José Miguel Júdice na Ordem dos Advogados, na sequência de dois processos disciplinares, foi um marco no mandato de Rogério Alves. O polémico episódio, durante o qual o Conselho Superior abandonou a sala e deixou o antigo bastonário a falar para as paredes, destacou-se como o primeiro momento de contestação a Rogério Alves. Nessa altura, alguns advogados, apoiantes de José Miguel Júdice, reclamaram mesmo eleições antecipadas.
Contudo, Rogério Alves superou a crise e hoje os seus apoiantes anseiam pela recandidatura, apesar de este já ter dado a entender que não avançará.
Uma sondagem publicada recentemente veio animar as hostes do actual bastonário, mas o causídico mantém em suspense a decisão que irá tomar. Por outro lado, o elevado número de candidatos à liderança da Ordem dos Advogados, quando ainda faltam oito meses para as eleições, revela a insatisfação de sectores influentes da classe.